12/11/2020

Moreia


Não é uma enguia enguiçada, 
é um elétrico peixe que baila, 
uma olímpica cobra na água,
o mais belo Caramuru 
deste mar azul de espumas. 

Sim, é ela, 
ao lado do amigo, 
o peixe-limpador. 

Por Deus, por amor! 
Não os fisgue, não, 
pescador.

O Pássaro das Sombras

02/11/2020

Onde os livros e as histórias voam!


Alguém aí conhece uma biblioteca sem muros? Uau! Que ideia sensacional, não é mesmo? Pois é. Eu conheço! Foi a bibliotecária Arlete Menezes Leal quem criou! Acesse o canal dela no YouTube com dicas literárias e contações de histórias incríveis! 
Pode clicar também na imagem acima, que você chega lá!

E olha só quem virou a estrela de um dos vídeos! (rsrsrs)

Obrigado, querida Arlete! #SuperAmei

O Pássaro das Sombras

31/10/2020

Credo! Que terror, que barato!


Tarântulas, baratas tantas...
 fantasmas!
Escorpiões, gambás, corujas,
morcegos, ratazanas mandrujas.
Mariposas, lacraias marujas
e delinquentes bichanos 
desguedelhados,
que bagunçam do chão ao telhado.

A madrugada serenada
será pura serenata. 
Oba!
Azar pra alma penada,
que coragem é meu nome.
Chega mais, lobisomem!

O Pássaro das Sombras

25/10/2020

Sem céu


Olha o periquito, 
todo aflito, 
que nem pinto 
com medo 
de virar 
ovo frito.
Que esquisito!

O Pássaro das Sombras

12/10/2020

Fotogênicos


Pepino-do-mar, água-viva, tubarão. 
Siri, cavalo-marinho, peixe-dragão. 
Polvo, anêmona, tatuí escafandrista. 
Tudo fazendo pose pra turista.

O Pássaro das Sombras

05/10/2020

Viajante


Até sob o sol, 
o molenga caracol 
vive sem pressa. 
Vai acabar bronzeado 
na testa. 

No brilho da lua, 
todinho estelar, 
não quer mais acordar. 

Sem risco de se perder, 
em seu risco luminoso, 
ele se arrisca pelos sonhos, 
sem olhar pra trás.

O Pássaro das Sombras

22/09/2020

Que assanhado!


Pula o canguru de Cangurópolis. 
Pula o canguru de Itu. 
Pula o canguru de Lixópolis. 
Pula, pula em Honolulu. 

Tanto salta-e-pula 
até que não me amola. 
Apenas diga, por favor, 
se não há mola 
debaixo desta sola 
dos pés, canguru.

O Pássaro das Sombras

13/09/2020

Não lava o pé

 

O bacurau se mudou 
na calada da noite 
para um buriti, 
bem longe dali, 
do outro lado do igarapé, 
porque não aguentava mais o sapo 
e seu cheirinho de chulé.

O Pássaro das Sombras


E lembre-se: pássaro não foi feito para viver em gaiola. Deixe os bichos livres na natureza!

01/09/2020

Nem pisca


A coruja se entrega: 
de olhões arregalados, 
cheios de remela, 
adora uma novela.

O Pássaro das Sombras

30/08/2020

A noite é da bicharada


De dia, o mundo barulha demais, 
tirando nossa paz. 

À noite, pirilampos alucinados 
rompem a escuridão, 
piscando que nem discoteca, 
na pista do meu coração.

O Pássaro das Sombras

29/08/2020

Flanar


Como é leve a vida da borboleta na clara luz da manhã. 
Papel picado, mosaico de cores. 
Será que na vida da borboleta 
não há dores?

O Pássaro das Sombras

18/08/2020

Perder o medo de abrir as asas


Se um dia eu aprender a voar, vou agradecer tanto, mas tanto, que seria capaz até de comer um pudim de berinjela com chuchu, que deve ser horrível.

Se um dia eu aprender a voar, ah... vou voar pra bem longe, sabe, lá no meio do mar, ou bem alto mesmo, acima das árvores mais gigantes que existem. Vou querer voar de dia, de noite... e quando as estrelas estiverem começando a pontilhar o céu no fim da tarde... 

Talvez eu até faça amizade com alguma estrela ou convide uma constelação inteira para um café.

Será que estrela gosta de poesia?

O Pássaro das Sombras

10/08/2020

Para ir à Lua


Enquanto não têm foguetes
para ir à Lua
os meninos deslizam de patinete
pelas calçadas da rua.

Vão cegos de velocidade:
mesmo que quebrem o nariz,
que grande felicidade!
Ser veloz é ser feliz.

Ah! Se pudessem ser anjos
de longas asas!
Mas são apenas marmanjos.

Cecília Meireles

01/08/2020

Saudade


eu pensava que à noite
o sol ia dormir
que o sol ia pra casa
que ia lá pra China
que o sol virava lua
que acabava a pilha
que punha capa preta
que a montanha engolia
que o sol também ficava
com saudade de mim.

Leo Cunha

21/07/2020

Esvoaçantes e sortidos


Sopra forte o vento Norte
E empurra a pipa pelo ar
Cuidado, papagaio colorido
Esse sol vai te queimar.

Dei linha no carretel
Lá longe abracei o céu
Pipinha, pipona...
No avião pega carona?

 Anjos e passarinhos
Subir, descer, afundar...
Distante da rede elétrica
Pipa ama voar!

Sem linha cortante
Sem cerol!
Assim, sim!
Fica legal!

Que delícia
Tudo é ilusão!

25/06/2020

Saudade junina


Festança animada?
Agora é tudo diferente
Pé de moleque, canjica, pipoca
Só se for...
 Na casa da gente!
(Sem aglomerações, por favorzinho!)

Lindo céu, sinto saudade
Da garoa tão mansinha
E o calorzinho amarelo da fogueira?
E o requebrar das bandeirinhas?

Crianças e tranças...
 E tão coloridas danças...
Quadrilha ouriça a meninada 
Buscapé, não pegue no pé...
 De gente miúda de bigode
 Pois ficar triste não pode!

Farei um pedido especial
A um balão iluminado
Que traga de volta meu sonho
Daquele mundo estrelado.

O Pássaro das Sombras

21/06/2020

Poeminha musical


Queria te ver bem de perto 
A ponto de entrar em seu coração 
Dançar reggae lá dentro 
Frevo, valsa
 Samba, baião.

O Pássaro das Sombras

08/06/2020

As lentes de contato do jabuti



Um dia o jabuti recebeu uma herança de sua tatataravó. Era uma grana para ninguém botar defeito e, com ela, dava para realizar qualquer desejo. O jabuti pensou em muitas coisas legais, a primeira delas: queria ter olhos cor de mel. Por isso decidiu comprar lentes de contato.

Então foi à loja da dona barata e adquiriu um par de olhos novos. Feliz da vida, esbanjando charme, sentindo-se um verdadeiro galã de novela, o jabuti voltou para casa rindo à toa. Ele almoçava de lentes, jantava de lentes, dormia e acordava de lentes. Não queria saber de outra coisa a não ser curtir a vida de olhos adocicados. De vez em quando, passava em frente ao espelho e dava uma espiadinha. Sem conseguir disfarçar a alegria pelo novo visual, tirava uma, duas, várias selfies e postava tudo nas redes sociais.

Contudo, numa manhã, ao acordar, decidiu retirar as lentes de contato para lavá-las e as deixou dentro de uma pequena vasilha, perto da pia. Foram apenas alguns minutinhos (porque o jabuti não desgrudava das lentes) e, quando voltou, cadê elas? As lentes de contato haviam DESAPARECIDO!
           
– Oh, que tragédia! Minhas lentes sumiram! Quem foi o criminoso cruel e desumano que teria feito isso? – desesperou-se.

O jabuti entrou em pânico. Gritava, esbravejava, chorava, xingava, pulava, rodopiava, suspirava, plantava bananeira, subia pelas paredes e praguejava. Tudo de uma vez só. Coitado, também não era para menos.

A vizinhança inteira acabou sabendo do caso, de tanto que o jabuti berrava. Lamentava que sua vida agora tinha perdido o sentido... Disse que queria morrer, cair num abismo, sumir, explodir, sei lá! Dramático, escandaloso ele...

Desesperado, o jabuti começou a investigar. Primeiro, procurou Rita, a ratazana. Depois, Tião, o tamanduá; Lu, a lesma, e Francisco, o mosquito. Ninguém sabia de nada. Os amigos voltaram ao local do crime e encontraram pegadas. Minha nossa! De quem seriam?

As marcas eram de pés bem pequenos. Daí foram atrás de Tereza, a única formiga a quem conheciam. Ela morava no Subterrâneo de Titãs, um formigueiro perto dali. Chegando lá, não encontraram a tal suspeita. A formiga tinha viajado em férias com a família. Seria ela a culpada? Por que uma viagem justamente naquele momento? De qualquer forma, não chegaram à conclusão alguma.

Procuraram também a Amarilda, a centopeia chatonilda; Lelé, o sapo com chulé; Janjão, o grilo garanhão; Zoínho, o curiango assanhadinho; Epaminondas Amado, o pato desafinado, e Sincero Ezequiel, o carrapato louco por pastel. Todos inocentes! Depois de 99 suspeitas fracassadas, o jabuti e os amigos desistiram e voltaram frustrados para casa.

Logo na entrada, já tiveram uma surpresinha!

– Oi, filhote – era a mãe do jabuti. – Aqui estão suas lentes de contato, meu amor. Eu as peguei emprestadas para dar uma voltinha. Elas me deixaram uma "gata"... #Amei!

– Ah, não é possível, jabuti!! – gritou a bicharada. Em seguida, saíram todos correndo atrás dele, indignadíssimos.

O jabuti, que não tinha culpa de nada, ainda transtornado com a situação, corria e gritava:

­– Ei, pessoal! Parem com isso! Me deixem explicar...

Mas os colegas não queriam conversa.

– Você nos fez andar quase o mundo inteiro por causa dessas benditas lentes de contato. Agora é você quem vai ficar de olhos roxos!

– Meu Deus! Socorro! Polícia, bombeiros, Ibama! O que isso? Violência, não! – implorava o bicho.

E dizem que até hoje o jabuti está fugindo. Outros garantem que não! Contam que, com o resto do dinheiro da herança, ele comprou uma passagem de avião, primeira classe, e sumiu pra Dubai, chiquérrimo, de lentes de contato, claro!

Pedro Antônio de Oliveira
(Autor do livro "Oreosvaldo, o Pássaro das Sombras" (Editora Lê)

Você sabe a diferença entre um jabuti, um cágado e uma tartaruga? Não!? 
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