Meus autores

Ler bons autores é uma ótima pedida. 
Aqui estão alguns dos meus prediletos:

Carlos Drummond de Andrade
...
"Quem gosta de escrever cartas para 
os jornais não deve ter namorada." (Drummond)

Ele nasceu em Itabira, Minas Gerais, no 31 de outubro de 1902. Poeta, contista e cronista, fez de sua cidade-natal fonte de inspiração para boa parte de sua obra. Estudou em Belo Horizonte, no Colégio Arnaldo, e em Nova Friburgo, Rio de Janeiro, com os Jesuítas, no Colégio Anchieta. Formou-se em farmácia, fundou "A Revista", para divulgar o modernismo no Brasil.

Em 1925, casou-se com uma moça chamada Dolores Dutra de Morais, e teve uma única filha, a Maria Julieta Drummond de Andrade.

No ano em que publica a primeira obra poética, "Alguma poesia", em 1930, seu poema "Sentimental" é declamado na conferência "Poesia Moderníssima do Brasil", no curso de férias da Faculdade de Letras de Coimbra, no projeto de difusão da literatura brasileira nas universidades portuguesas. 

Drummond era ou não um modernista? O que importa é que ele escrevia com liberdade linguística, usando o verso livre, o metro livre e caprichando nos temas do dia a dia.

Durante quase a vida toda, Drummond foi funcionário público. Começou cedo na literatura e só parou quando nos deixou, em 1987, doze dias após a morte de sua filha. Triste, né? Seus últimos dias ele passou na linda cidade do Rio de Janeiro. Hoje existe uma estátua dedicada a ele bem na Praia de Copacabana. Além de poesia, Drummond nos presenteou com livros infantis, contos e crônicas.

Estátua em bronze, no calçadão de Copacabana,
em frente à Rua Rainha Elizabeth

Quem teve a ideia da estátua foi o artista plástico Leo Santana, a fim de fazer igualzinho a uma foto tirada em 1983, pelo fotógrafo Rogério Reis, para uma importante revista aqui do Brasil. Aquele banquinho era um dos lugares preferidos do escritor. 

Olha que legal! Saudade do Drummond...
Quando eu for ao Rio, vou tirar uma foto a seu lado.

O Pedro outro dia me contou que, quando Drummond foi embora, a professora dele, a Tia Regina - ele até se lembra do nome dela -, pediu que todo mundo levasse uma poesia do poeta para ler em sala de aula. O Pedro levou um quadro que tinha na parede, gravado com a própria letra do Drummond com este poema:

Mãos dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

O tempo passa? Não passa
O tempo passa? Não passa

O tempo passa? Não passa
no abismo do coração.

Lá dentro, perdura a graça
do amor, florindo em canção.

O tempo nos aproxima
cada vez mais, nos reduz
a um só verso e uma rima
de mãos e olhos, na luz.

Não há tempo consumido
nem tempo a economizar.
O tempo é todo vestido
de amor e tempo de amar.

O meu tempo e o teu, amada,
transcendem qualquer medida.
Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida.

São mitos de calendário
tanto o ontem como o agora,
e o teu aniversário
é um nascer a toda hora.

E nosso amor, que brotou
do tempo, não tem idade,
pois só quem ama escutou
o apelo da eternidade.

No blog, de vez em quando, vou postar uns poeminhas do Drummond.
...
Leia mais sobre Drummond: Clique aqui.
Site oficial do Drummond: www.carlosdrummond.com.br


Cora Coralina

"Eu sou aquela mulher
a quem o tempo muito ensinou." (Cora Coralina)

O nome verdadeiro dela era Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas. Lindo, não? Cora Coralina foi um nome inventado, um pseudônimo, para ficar mais misterioso. Que barato! Igual a mim, porque Pássaro das Sombras, você já sabe, é só para esconder minha verdadeira identidade.

Cora nasceu em Goiás, no dia 20 de agosto de 1889. Ela teve uma vida simples, trabalhou como doceira e viveu longe das grandes cidades, portanto sem sofrer influência da literatura da moda. Os poemas e contos que escreveu eram inspiradores e sensíveis, retratando a vida no interior do país. 

Só foi publicar um livro em 1965, quanto já havia completado 76 anos de idade. Viu que nunca é tarde para realizar um sonho? 

A casa onde passou alguns de seus melhores momentos agora é um museu, repleto de objetos da escritora, um lugar mágico que reconta sua história. A iniciativa foi dos amigos, logo após seu falecimento em Goiânia, em 10 de abril de 1985.

Lá vai um poeminha da Cora, que eu amo: 


Saber viver

Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura...
Enquanto durar.

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Leia mais sobre Cora Coralina. Clique aqui.

Mario Quintana
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"A amizade é um amor que nunca morre." (Quintana)

Mario de Miranda Quintana. Para alguém que era considerado o "poeta das coisas simples", "Mario Quintana" é mais apropriado, não acha? Todo mundo dizia que seu estilo de escrever era marcado pela ironia, profundidade e perfeição técnica. Talvez seja por isso que ele tenha trabalhado como jornalista por quase a vida inteira. Acredita que ele arranjou tempo para traduzir mais de cento e trinta obras da literatura universal? Uma delas foi "Em Busca do Tempo Perdido",  de Marcel Proust. 

Vivendo de hotel em hotel, ele nunca teve morada certa. Tanto que certa vez, com o fim do Correio do Povo, jornal em que trabalhava, ficou sem dinheiro para pagar sua hospedagem no Hotel Majestic. Daí, foi despejado, mas acolhido no Hotel Royal, do comentarista esportivo e ex-jogador da seleção, Paulo Roberto Falcão. Uma amiga comentou que o quarto era pequeno. Quintana respondeu: "Eu moro em mim mesmo. Não faz mal que o quarto seja pequeno. É bom, assim tenho menos lugares para perder as minhas coisas.".

Quintana nasceu em Alegrete, Rio Grande do Sul, em 30 de julho de 1906, e faleceu em Porto Alegre, no dia 5 de maio de 1994.  Esse querido poeta, tradutor e jornalista nos deixou de presente um montão de obras inesquecíveis, entre elas, várias dedicados ao público infantil.


Cidadezinha cheia de graça

Cidadezinha cheia de graça…
Tão pequenina que até causa dó!
Com seus burricos a pastar na praça…
Sua igrejinha de uma torre só.

Nuvens que venham, nuvens e asas, n
ão param nunca, nem um segundo…
E fica a torre sobre as velhas casas,
Fica cismando como é vasto o mundo!…
Eu que de longe venho perdido,
Sem pouso fixo (que triste sina!)
Ah, quem me dera ter lá nascido!

Lá toda a vida poder morar! 
Cidadezinha… Tão pequenina
Que toda cabe num só olhar…

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Leia mais sobre Mario Quintana: Clique aqui.
Site da Casa de Cultura Mario Quintana: www.ccmq.com.br


Clarice Lispector

"Enquanto eu tiver perguntas e não houver 
respostas... continuarei a escrever." (Clarice)

Clarice Lispector foi batizada como Haia Pinkhasovna Lispector, pois nasceu na Ucrânia, em 10 de dezembro de 1920. Nome complicado; o que você acha? Minha língua até travou. Mas logo seu pai deu um jeitinho. Ao vir para o Brasil, toda a família mudou de nome, até ele (o pai) virou Pedro. Quando perguntavam para Clarice sobre sua nacionalidade, ela não gaguejava: "Naquela terra [Ucrânia], eu literalmente nunca pisei: fui carregada de colo.". E é verdade. A maior parte da vida ela viveu em terras brasileiras. Para se ter uma ideia, a escritora e jornalista aprendeu a ler em Recife. 

Não demorou para descobrir também uma outra paixão: a escrita. "Perto do Coração Selvagem" foi seu primeiro romance, publicado em dezembro de 1943 e escrito aos 19 anos de idade. A crítica especializada ficou de queixo caído com Clarice. Afinal, ela revolucionou o mercado numa época em todos escreviam seguindo tendências regionalistas, com personagens vivenciando problemas sociais da época. Os traços de inovação estavam evidentes no estilo solto, elíptico e fragmentário.
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Pena que Clarice nos deixou tão cedo. Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1977 - local e data da despedida. É claro que, para seus leitores, Clarice continua vivíssima com sua obra instigante e sempre atual. Que tal ler comigo algumas de suas frases?  
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"Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós."

"...Que minha solidão me sirva de companhia.
Que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo."

"Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar essa pessoa de nossos sonhos e abraçá-la."

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Leia mais sobre Clarice Lispector: Clique aqui.
Site oficial da Clarice: www.claricelispector.com.br

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