24/06/2021

Festança animada


A festa junina foi bacana! Quase explodi de tanto comer pamonha, amendoim salgadinho, canjica, pururuca, cocada baiana, pipoca e pé de moleque. Juro! Só não tomei quentão porque era bebida de gente grande.

A quadrilha estava animada! As moças pulavam no colo dos rapazes quando o animador gritava ao microfone: “Olha a cobra!”. Mas era sempre mentira.

O padre que ia fazer o casamento tomou tanta batida de pêssego que, na hora do matrimônio, caiu na maior soneira lá pelas bandas do bambuzal. A noiva, irritada, prometeu se vingar do beberrão assim que ele acordasse. Tudo teatro, tudo de mentirinha. E a gente ria, de doer a barriga.

A noite permaneceu um chão de estrelas e a fogueira ardeu até as tantas da madrugada, desenhando, com sua claridade laranja, figuras fantasmagóricas nos objetos e nas pessoas.

Apenas um fato me deixou preocupado. Soltaram um balão bonito que só vendo. Ele foi subindo aos poucos, iluminando as bandeirolas e, num instante, virou um pontinho no céu. Soltava lágrimas, parecia que estava chorando. Será que era saudade da Terra?

Foi me dando uma aflição, uma aflição... 

Imagine se o balão caísse em alguma fábrica, numa casa ou na mata... Não queria nem pensar nisso. Podia causar um incêndio, gente ficar ferida!... 

Não sei mesmo qual foi o destino do balão. Espero que tenha encontrado São Pedro, Santo Antônio ou São João, lá pelo infinito afora. Sem perigo. Tomara que tenha virado cometa ou sonho. Tomara que fique pra sempre flutuando e brilhando. E as pessoas, enganadas, pensando que é estrela.

Pedro Antônio de Oliveira

18/06/2021

Seresteiros

 

O uirapuru convidou o tuiuiú
para uma parceria musical.
Combinaram, tim-tim por tim-tim,
estrear no Carnaval.
Mas um queria sertanejo.
O outro, forrobodó.
Que quiproquó!

O Pássaro das Sombras