04/05/2018

Os heróis de laranja

Fotos: Divulgação
“Olha, mãe, os ´joias´ estão vindo!” É assim que Thiago, de quatro aninhos, carinhosamente apelidou os garis que recolhem os resíduos domiciliares de sua rua, na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais. A cena, que se repete em todos os dias de coleta de lixo, arranca sorrisos do pequeno fã e da própria turma de funcionários, que faz questão de cumprimentá-lo. Eles também gritam cheios de animação e cumplicidade: “Ei, amigão!”. Em seguida, retiram as luvas e tocam as mãos do menino.

Os pais, Rosilene Viana e Thales Gamarano, fazem questão de alimentar o sentimento do filho. A mãe conta que ele começou a gostar dos garis antes mesmo de andar. “Creio que nosso filho tenha percebido em nós mesmos a admiração e o respeito pelos profissionais da limpeza urbana. Ficávamos aguardando o caminhão, o que certamente foi chamando a atenção de Thiago”, lembra. “Mas o encantamento vem crescendo, motivado pelo carinho que os garis demonstram a cada novo encontro. E não é para menos, pois a alegria dos coletores é contagiante.”

Rosilene se surpreende com o fato de Thiago saber a hora exata em que o caminhão irá surgir no início da rua. Ansioso, ele espera na porta da residência. “Assim que o veículo para em frente à nossa casa, Thiago começa a fazer festa e distribuir acenos em forma de ‘joias’”. Os garis, sabendo da paixão do garoto, retribuem a consideração com simpatia e muito afeto.

Os garis são os verdadeiros amigos de Thiago
Educação Ambiental

Apesar da pouca idade, o pequeno Thiago já possui consciência de que o meio ambiente deve ser preservado. “Na escola, ele adorou aprender sobre a coleta seletiva e, em casa ou na rua, jamais joga papel no chão”, orgulha-se a mãe. “Ele já percebe quando há lixo nas calçadas em dias que não são de coleta. Se na manhã seguinte, houver algum saco de lixo na via, ele logo reclama: ‘Mamãe, colocaram o lixo no dia errado’.”

Na volta da escola, Thiago faz de conta que a mochila é o caminhão de lixo. Então, Rosilene precisa entrar na brincadeira e fingir que é a motorista. Entusiasmado, ele dispara a gritar “bora, bora, bora”, “vamos lá, gente”, igualzinho aos garis. Thiago ainda imita os barulhos da prensa do caminhão cada vez que ele, de mentirinha, põe o “lixo” na mochila. “Quando chegamos em casa, as almofadas também se transformam em lixo imaginário. No supermercado, o carrinho de compras também vira caminhão compactador, e ele novamente fantasia que está segurando os resíduos.” 

Thiago rasga papéis e imagina que é lixo, depois passa horas recolhendo a "sujeira" do chão
 
Uma festa!

Nada de Batman, Super-Homem, Capitão América ou Homem de Ferro. A festa de quatro anos de Thiago homenageou, no mês de abril deste ano, aqueles que vestem laranja e deixam a cidade brilhando. O carinho pelos garis e a paixão por caminhões de lixo estiveram presentes em cada detalhe da comemoração, que surpreendeu os convidados.

Rosilene encomendou para o aniversariante um uniforme parecido com o dos coletores. Ela também se vestiu a caráter, com um modelo da coleção do desfile Gari Fashion, desenhado por uma especialista em moda.

Durante um almoço festivo, o “parabéns pra você” contou com convidados bastante especiais: a equipe de coleta que Thiago espera todos os dias na porta de casa e suas famílias. “Thiago não é ligado a personagens de quadrinhos; seus super-heróis são os garis”, reafirma a mãe, radiante de felicidade!

O Pássaro das Sombras

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