17/02/2019

Corte radical (rsrsrs)

Foto: Canal do Pet
Argh! Mamãe tem mania de me levar pra cortar cabelo naquele salão que fica a dois quarteirões de casa. Por lá, parece que tudo ficou parado no tempo, a começar pelo cabeleireiro. A gente pede um corte, “não sei”; pede outro, ele pergunta: “como é que é esse?”. Ah... haja paciência! E ainda guarda umas revistas pré-históricas com alguns modelos de penteado que nem minha tatataravó deve conhecer! Por que ele não joga aquilo fora? Não presta pra nada! 

Quando deixo o salão, minha cara queima de vergonha! Sabe a sensação de que está todo mundo olhando pra você? Pois é. É assim mesmo que eu me sinto, morto de vontade de enterrar minha cabeça no chão, igual a avestruz, e ficar esperando meu cabelo crescer de novo.

E as perguntas do povo? “Cortou o cabelo?” “Sua cabeça cresceu ou foi o cabelo que encolheu?” “Tirou a peruca pra lavar?” Piadinhas bobas, credo! É porque todos devem ficar observando o estrago que aquele homem faz na cabeça da gente.

Tudo bem que ele é bonzinho. Todas as vezes, saio de lá com um pirulito na mão – mesmo já tendo passado da idade de ganhar pirulito... Ele tenta agradar, mas aqueles óculos já estão precisando ser trocados. 

E o dia que ele acertou em cheio minha orelha com a tesoura!? Quase arrancou um pedação! Dei um pulo tão alto na cadeira que as próximas vítimas que esperavam no salão para ser atendidas pensaram que eu ia decolar, que eu tinha virado foguete...

Há muito tempo eu queria o corte surfista. Ele fez. Fiquei parecendo um monstro marinho, a cabeça em forma de cuia! Mamãe achou lindo. Ou estava me gozando? Até arriscou um vocabulário inovador, tentando parecer moderninha: “Desta vez, você escolheu um corte radical, meu amor!” E o pior é que o cabeleireiro, orgulhoso, acreditou!

Pedro Antonio de Oliveira

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Olá. Aqui é o Pássaro das Sombras. Obrigado por estar aqui. Seu recadinho eu irei responder rapidinho.